Estreia nacional: 04.12.2008
"Amália, O Filme"
Biografia
Portugal, 2008
Realização: Carlos Coelho da Silva
Actores: Sandra Barata Belo, Carla Chambel, Leonor Seixas, António Pedro Cerdeira, Ana Padrão, Ricardo Carriço, João Didelet, Ricardo Pereira, Susana Mendes, Maria João Abreu, Lourdes Norberto
Cor
120 minutos“Amália” segue a diva numa noite de Outono nova-iorquino em 1984, uma noite que atravessa as memórias íntimas de uma vida inteira.
A precoce separação dos pais e a reconciliação precária, marcada pela indiferença da mãe e a morte da irmã Aninhas, até ao início da vida adulta, inaugurada pela paixão com o guitarrista amador Francisco Cruz e o sucesso local e nacional, até à ruptura de um casamento indesejado.
Uma fase de maturação artística e grande agitação, de vida dividida entre o amante Eduardo Ricciardi, o playboy do ténis que se incomoda com as suas raízes plebeias, e um banqueiro comprometido, Ricardo Espírito Santo, cúmplice espiritual, até ao abrupto desaparecimento deste lhe retirar a esperança de um futuro comum, levando a um casamento por simpatia e conforto com César Seabra.
Por fim, um período de valsa dorida com as traições familiares e as conotações políticas com o regime, de bailado com a doença, apenas superado na gloriosa ressurreição em pleno Coliseu dos Recreios, quando triunfa sob o fogo cruzado da Revolução de Abril.
“Amália”, a biografia da mulher que atravessa o século XX para se transformar numa das maiores personalidades musicais de todos os tempos.
Caracterização das personagens:
Amália Rodrigues - Nasce em Lisboa em 1920, vive com os avós durante a infância, separando-se física e emocionalmente dos pais, que voltam para a Beira Baixa. Aos 14 anos muda-se para casa dos pais alguns anos após o regresso destes à cidade, juntando-se a uma família numerosa, criando laços mais próximos com a irmã Celeste, mas permanecendo distante da mãe.
Desde cedo que Amália canta – à janela de casa dos avós, na rua, no cais. É uma rapariga e, mais tarde, mulher de contradições: embora assuma o fatalismo e o destino, não quer ser fatalista ou triste. Tem uma ascensão meteórica a partir dos 19 anos.
Amália odeia a solidão e gosta da alegria da companhia dos outros. É tímida, por isso prefere a distância de um teatro à proximidade das casas de fado. No entanto, Amália sabe o que é espectáculo e sabe ter um dom que, desde nova, faz com que as pessoas gostem de a ouvir cantar. É fadista, mas quer mais do que a tristeza e angústia do fado; em palco é natural e aberta, sem artifícios, e assim conquista o público. Tudo o que conseguiu foi quase sem querer, sem estar à espera: o destino. “Eu podia ter sido muita coisa, se não tivesse sido aquilo que sou”.
Francisco Cruz - guitarrista e torneiro mecânico. A primeira paixão de Amália conhecem-se ainda jovens, foi amor à primeira vista: ele é bonito, toca guitarra, e ela canta o fado. Namoram às escondidas, a acabam por ser forçados a casar pela família de Amália. Francisco é um homem simpático mas boémio, que começa por não querer assumir o casamento mas acaba por ceder. Fruto do estilo de vida de Francisco, com amantes, muita bebida e ciúmes à mistura, o casamento dura pouco.
Eduardo Ricciardi - a grande paixão da vida de Amália. Nas suas palavras, o “Pita” é muito bonito, campeão de ténis, mas nunca ligou nenhuma à carreira dela nem a acompanhava a parte alguma. A forma antagónica de lidar com a vida e a diferença de classe social nunca permitiram que a relação fosse assumida. Vivem juntos durante oito anos, entre 1947 e 1955. O facto de Amália ser já um grande nome do fado em Portugal (a canção do povo) ainda o repele mais. Amália acaba por deixá-lo.
César Seabra - Engenheiro mecânico formado em Coimbra, é a principal relação amorosa da vida de Amália, tendo ficado conhecido, até ao casamento em 1961, no Brasil, como o «noivo brasileiro». Apesar de ter namorado todas as misses do Brasil – e, de quando se conheceram, tivesse existido uma paixão inicial – César traz estabilidade à vida emocional de Amália, depois do período conturbado com Eduardo Ricciardi: um homem sorridente, bem vestido, muito simpático, muito carismático, com quem Amália casa por companhia e amizade - é com ele que vai viver para o Brasil, deixando de cantar durante dois anos.
Tratam-se por «você» e têm uma intimidade familiar e confortável. César tem imenso sentido de humor e é isso que cativa Amália. Mais tarde, os dois terão amantes e dormirão em quartos separados. Mas o entendimento acaba por ser longo.
Celeste Rodrigues - Nasce em 1923. Dois anos mais nova do que Amália, é a irmã preferida, também ela fadista. Celeste, por seu turno, é a preferida da mãe, que diz bem dela às vizinhas em detrimento de Amália. Apesar disso, não existe rivalidade entre as duas.
Celeste e Amália tornam-se companheiras inseparáveis: vão juntas a Madrid, aos fins-de-semana, para a borga. Celeste é amiga e companheira durante os anos da juventude, andam sempre juntas, trabalham no Cais da Rocha. Celeste canta desde criança e estreia-se em 1951, fazendo uma carreira de artista sem grande fulgor, permanecendo na sombra da irmã.
Ricardo Espírito Santo - Nascido em 1900, é um dos grandes amores de Amália. Homem de finanças, elegante e discreto, de pose aristocrática, tem uma paixão imensa pela arte e pela cultura. É casado com Mary Pinto de Morais Sarmento Cohen, de quem tem quatro filhas. Tem 40 anos quando ouve falar de Amália, começando a vê-la nas casas de fado e, mais tarde, no estrangeiro, tornando-se o seu maior fã e apaixonando-se pela fadista.
No filme, torna-se o principal factor de cisão entre Amália e Eduardo Ricciardi, embora o amor entre Amália e Ricardo Espírito Santo seja sempre platónico. É com Ricardo Espírito Santo que Amália vai conhecer, pela primeira vez, o significado de um amor que transcende o físico. Espírito Santo morre em 1955.
Texto: Valentim de Carvalho Filmes
Site oficial